ANO 05 – INFORMATIVO Nº 65 – GLOBALBLUE

Na capital paulista, alta taxa de desocupação de escritórios em regiões descentralizadas se torna “âncora” que impede recuperação de preços em bairros como Vila Olímpia, Itaim Bibi e Paulista.

 

*HENRIQUE JULIÃO | SÃO PAULO | 27 de Setembro de 2018

 

A alta taxa de vacância em escritórios corporativos de alto padrão situados fora da região centralizada da capital paulista está dificultando a recuperação do preço médio do metro quadrado (m²) do segmento na cidade.

“Há uma âncora que não deixa os preços da região subirem tão rápido”, afirmou o CEO da consultoria imobiliária NAI Brazil, Marcelo Costa Santos, em referência às altas taxas de vacância de escritórios classes A+/A e B+/B nas chamadas regiões descentralizadas da metrópole.

Entrariam nesse grupo bairros como Santo Amaro, Morumbi-Jardim São Luís, Chácara Santo Antônio, Roque Petroni e Berrini. “Em escritórios de classe A, a taxa de vacância [média] da cidade é de 20%. Nas regiões centralizadas, ela cai para 10%, mas nas descentralizadas, atinge 30%”, analisou Costa Santos.

Segundo ele, tamanha “diferença entre as zonas” estaria limitando a valorização do m² em regiões onde a vacância já deveria “gerar pressão de preço.”

“Vila Olímpia, Itaim Bibi e Paulista são regiões cuja situação já se tornou favorável para o proprietário, e não para o inquilino”, sinalizou o executivo do setor imobiliário.

No caso do Itaim Bibi, a taxa de vacância registrada pela NAI Brazil ao fim de junho era de apenas 5% para escritórios classe A+/A, ficando em 14,3% no B+/B. O cenário é similar na Paulista (taxas de 9,6% e 12,3%, na ordem) ou Vila Olímpia (11,8% e 14,1%).

Mesmo com a situação controlada, o preço do m² nas três regiões não reagiu no segundo trimestre – chegando inclusive a cair nas duas classes na Vila Olímpia em comparação com o primeiro trimestre. Queda ligeira também foi verificada no A+/A da Paulista e no B+/B do Itaim Bibi.

Já “para lá da Avenida Bandeirantes”, a metragem vaga ainda pesa a balança para o outro lado. Na classe A+/A, a taxa de vacância no segundo trimestre bateu 78,7% na Chácara Santo Antônio, 71,7% em Santo Amaro e 29% no caso do Morumbi-Jardim São Luís.

No caso do B+/B, a desocupação média também é alta, atingindo 41,9% no Morumbi-Jardim São Luís, 29% na Berrini e na Chácara Santo Antônio e 28,1% na região da Roque Petroni.

Mudança

Apesar do cenário conflitante, Marcelo Costa Santos entende que a “oferta agressiva” no mercado de escritórios de alto padrão na capital paulista está chegando ao fim. “Há poucos dispostos a ceder em preço de forma significativa”, sinalizou.

De acordo com o executivo da NAI Brazil, a cidade está vivenciando “casos de concretos de subida de preço” e de “prédios com fila de espera”. Um exemplo citado por relatório da consultoria é o Edifício Arquiteto Jorge Proushan, lançado recentemente na região de Pinheiros. Com cinco mil m², o ativo “entrou pré-locado no mercado por uma empresa do setor financeiro”.

No segundo trimestre, contudo, o preço médio do m² comercial de alto padrão recuou para R$ 75,7, ante R$ 78,4 em março e R$ 80,5 no fim de 2017. Em 2012, o valor médio na capital era R$ 128,34.

A NAI Brazil aposta em uma recuperação de preços até o final do ano, impulsionada justamente pelo A+/A nas regiões centralizadas (cujo m² custava R$ 87,1 em junho). Segundo a Cushman & Wakefield, que também analisa o setor, o preço médio do m² A+/A fechou agosto em R$ 90,9.

Como um todo, o diagnóstico da NAI Brazil aponta para “fortes indícios de retomada” no mercado de escritórios da capital. No primeiro semestre, por exemplo, a absorção líquida no segmento (188 mil m²) foi quase o dobro da média anual para a cidade nos últimos seis anos (109 mil m²).

O estoque paulistano de escritórios de alto padrão somava 5,225 milhões de m² em junho, dos quais 20,4% estavam vacantes ao fim do primeiro semestre. Nestes seis meses, 189 mil m² foram lançados na capital. A estimativa da NAI Brazil é de entrada de mais 124 mil metros quadrados no segmento até o fim do ano.

 

 

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